sábado, 22 de fevereiro de 2014

O que é a bíblia? Parte 2. Inundações


Série de reflexões sobre a Bíblia, escrita e publicada originalmente em inglês, no tumblr, pelo próprio autor Rob Bell e sua equipe. (http://robbellcom.tumblr.com/post/66107373947/what-is-the-bible).

Transcrito e adaptado para portugues por Marcus Vinicius Epprecht com autorização do autor. Proibida a reprodução para fins comerciais ou qualquer forma de ganho sobre este texto sem a autorização expressa do autor e do tradutor.
Revisado por Felipe Epprecht Douverny.
Publicado em português simultaneamente nos seguintes endereços:





Parte 2: Inundações



Vamos falar sobre as inundações. Porque os antigos faziam isso. Os sumérios contaram histórias de inundação, os mesopotâmios contaram histórias de inundação, os babilônios contaram histórias de inundação. Histórias sobre a água e seu poder destrutivo para acabar com vilas, cidades, civilizações e pessoas, não eram incomuns no mundo antigo.

Havia até mesmo histórias sobre pessoas construindo barcos para sobreviver a estas inundações.

Nestas histórias de inundação, toda essa água que vem para destruir a humanidade era entendida como sendo um juízo divino em relação à forma como as pessoas haviam estragado tudo. Os deuses estão com raiva, acreditava-se. E uma inundação era a sua maneira de limpar o convés para começar de novo.

Durante quarenta dias e quarenta noites a chuva caiu sobre a terra ... [Gênesis 7]

Então, quando chegamos a uma história sobre um dilúvio, no livro de Gênesis, ela não é tão incomum. Esta história do dilúvio é como as outras histórias de inundação porque esse deus é como os outros deuses - encheu-se com a depravação da humanidade, e desencadeia a ira divina, sob a forma de uma inundação.

Mas, então, essa história faz algo estranho. Ela termina com a insistência divina

E então este Deus traz um arco-íris e uma promessa e uma aliança.

Uma o quê?

Uma aliança. Uma aliança é um acordo, um juramento, um vínculo relacional entre dois seres que pertencem um ao outro.

Não era assim que as outras histórias de inundação terminavam. Nessas histórias os deuses estão com raiva e todo mundo morre, e os deuses ficam satisfeitos. Fim da história.

Mas este deus é diferente. Este deus compromete-se a viver com as pessoas de um modo novo, um modo em que a vida é preservada e respeitada.

Então, por que essa história, em particular, foi contada?
Por que essa história importa?
Por que isso persiste?

Várias razões:

Primeiro, imagine, não havia fotos da Terra a partir do espaço, não havia relatos meteorológicos, não havia imagens do Google, nem aviões. Imagine que você nunca tinha se afastado mais do que alguns quilômetros de onde você nasceu. E então imagine um monte de água, muitas ondas, enxurradas, aterrorizante, vindo sobre você, do nada
e jogando toda a sua vida fora.

Imagine o que isso faria para a sua psique.

Você poderia fazer o que fazemos sempre que sofremos - você buscaria as causas. E no mundo antigo, era consenso geral que as forças que causavam este tipo de coisas eram os deuses. Eles que “estavam por aqui com” as formas equivocadas, traiçoeiras e depravadas dos seres humanos, haviam decidido liberar a sua ira.

É assim que as pessoas viam o mundo.

Mas, então, há uma diferença: esta história começa de uma forma familiar, da mesma forma que as pessoas tinham ouvido antes, mas, em seguida, ela toma uma direção diferente. Muito diferente, uma direção envolvendo arco-íris e juramentos e acordos.

Não era assim que as pessoas falavam sobre os deuses.
Os deuses estão furiosos - é assim que as pessoas entendiam os deuses.

Mas essa história, essa história é sobre um Deus que quer se relacionar -
um Deus que quer salvar -
um Deus que quer viver em aliança …

Esta história é sobre uma nova visão de Deus.

Não é um Deus que quer aniquilar as pessoas,
mas um Deus que quer viver em relacionamento.

Então, sim, é uma história primitiva.
Claro que é.
É uma história muito, muito antiga.
Ela reflete como as pessoas viam o mundo e explicavam o que estava acontecendo ao seu redor.

Mas, descartar essa história tão antiga e primitiva é perder de vista que, quando essa história foi contada pela primeira vez, tratava-se de uma nova e incrível concepção de um Deus melhor, mais amável, mais pacífico, cuja maior intenção para com a humanidade não é a violência, mas o amor.

É primitiva, mas também é muito, muito progressista.

Mais um pensamento, agora sobre unicórnios.
(Não é ótima essa frase?)

Você vai ouvir muitas vezes as pessoas falarem sobre histórias da Bíblia como esta com um certo “virar de olhos”: você acha que as pessoas ainda acreditam nesse tipo de coisa?

Grande parte desse cinismo é devido à forma como essas histórias tem sido contadas,
muitas vezes por pessoas religiosas bem intencionadas tentando provar que realmente
havia dois animais no momento que entraram numa arca e

Sim, o barco era realmente grande o suficiente

e

claro que Deus tinha um plano para onde colocar o cocô do elefante.

Esse tipo de coisa. O que este literalismo empolado faz, em seus esforços para levar a história a sério, muitas vezes é perder de vista o objetivo da história. Esta história foi um grande salto à frente na consciência humana, um avanço na forma como as pessoas concebiam o divino, mais um passo em direção a um entendimento relacional e menos violento, do divino.

Ela começa como as outras histórias de inundação começavam,
mas então ela vai para um lugar diferente.
Um lugar novo .
Um lugar melhor …

Agora, a partir das inundações, vamos falar sobre peixes.
Especificamente os peixes que engolem as pessoas por três dias para depois vomitá-los.




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